domingo, 1 de fevereiro de 2026

  

Ondas Douradas 


A brisa era morna e meus pés tocavam a areia. No fundo, eu sabia que queria fugir do meu próprio vazio. E ver você ali sendo engolido pelas ondas do mar, e depois emergindo por dentre as ondas douradas era misterioso e confuso ao mesmo tempoParada ali, eu duvidava de tudo o que achava que sabia sobre mim. Vivia de fantasias. E isso tudo, só me mostrava o quanto eu estava sozinha. E doía, doía fundo.  

Olhei ao redor e vi que o mar brilhava mais do que tudo. Era um brilho que me cegava, quase divino. As cores do arco-íris se deitavam sobre as ondas do mar e a areia da praia e me mostravam que a vida podia ser alegre. Lágrimas de tristeza rolaram pelo meu rosto. Eu não via as montanhas lá atrás, nem os pássaros que voavam soturnos pelo céu. Eles voavam em minha direção, pássaros negros, de asas sedosas e bicavam a barra do meu vestido. Mas eu continuava imóvel, inexpressiva. Mechas do meu cabelo loiro começaram a cair, e eu senti que o meu fim estava próximo. 

 Nuvens passavam rápidas pelo azul claro do céu acima de mim, enquanto a água gelada do mar envolvia meus tornozelos. E ali eu vi você saindo do mar mais uma vez. O corpo molhado, brilhante, muito vivo, porém distante. Estaria mesmo ali? Parecia um sonho distante, então seus lábios vermelhos sorriram para mim, e me disseram algo. Porém, não escutei nada. Tudo pareceu mudo e silencioso de repente. E muito distante.  

Percebi que o mar começou a ficar agitado, ondas altas que se erguiam furiosas. Cavalos passaram correndo por nós. Que momento, o que eu queria, o que eu fazia ali? E então, você me estendeu a mão, me chamando para ir junto, enquanto você adentrava para dentro do mar novamente. Eu relutei, não aceitei. Preferi ficar ali, observando você ir embora, sua fisionomia sumir pouco a pouco, e ser engolida pela água salgada 

Mas o tempo não para, as estações giram, o relógio avança. Como num sonho, os pássaros foram embora, as nuvens se abriram, o mar ficou calmo, e os raios solares iluminaram minha face.  

Por um instante, esqueci onde estava. Esqueci da minha solidão, enquanto a brisa do mar me envolvia numa calma e paz aconchegante. Até que uma canção baixa, e algumas notas de piano, que eu não sabia de onde vinham, me embalaram no caminho de volta para casa. 

sábado, 17 de janeiro de 2026


 

"Esse espaço ficou suspenso no tempo à minha espera. E agora eu estou de volta..."

domingo, 28 de agosto de 2016

Cartuchos e Cigarrilhas

*

Parte VI

*


Eu tentei superar tudo o que estava lá do lado de fora e mostrar a mim mesmo que havia mais de um caminho. Quase fiquei parado naquela dúvida de três segundos.  Por fim, quando me dei conta, abandonei a minha casa: ou mais precisamente o terceiro andar daquele prédio fúnebre. Já fazia tempo que nada fazia sentido. Acho que passei muitas horas ali, respirando aquela poeira que entrava pela última janela.

Acho que tudo me confundia: as cadeiras jogadas, o conjunto desordenado do jogo da sala de jantar, a luz intermitente, a penumbra cega. Cadê eu no meio daquilo tudo? Eu tateava pelos cantos, até reconhecer que o reencontro é como se revirar por dentro. E encontrar aquilo que você nem sabia estar procurando. Num outro alguém, talvez. Eu tentava expulsar o sol que insistia em entrar pela janela. Não aceitava intrusos, mesmo que fosse eu mesmo. No fundo, foi só falta de pensar um pouco. Olhar um pouco mais pra baixo. Aceitar que o mundo destruiu meu sorriso inocente. Bagunçou meus cabelos debaixo da boina. Mas eu fui assim mesmo.

Quando decidi foi daquele jeito imperceptível, um tanto cruel até. Saí correndo em disparada, escada abaixo. Os degraus passavam como um filme debaixo dos meus pés. Nem contei os andares, não precisava. Desci numa espiral louca, como um fugitivo cansado de tudo. Eu precisava explicar pra alguém, mas ninguém parecia disponível. Não era contradição, nem insegurança. Era só a ausência do medo de tudo.
Quando me dei conta já estava na rua, a névoa embebia meus passos, meus pés chafurdavam nas poças frias. Fui correndo, virando becos, ultrapassando esquinas. Só parei para encostar naquele beco sujo e escuro perto de casa. Fiquei um tempo assim, olhando para cima. Não havia nuvem nenhuma lá no céu enquanto minha mão tateava meus bolsos. Foi aí que percebi o quanto estava encharcado, ao mesmo tempo em que me perguntava o quanto havia de mim em cada uma daquelas pedras imóveis, o que ficara de mim nas cinzas do meu passado.


Ninguém que passasse por ali entenderia ou me veria com aqueles olhos de quem sabe o que está subentendido. Eu era uma farsa gritando por verdades. Mas naquele momento eu era apenas eu tentando acender um cigarro.

Camila Carelli
Cartuchos e Cigarrilhas

*

Parte VI

*


Eu tentei superar tudo o que estava lá do lado de fora e mostrar a mim mesmo que havia mais de um caminho. Quase fiquei parado naquela dúvida de três segundos.  Por fim, quando me dei conta, abandonei a minha casa: ou mais precisamente o terceiro andar daquele prédio fúnebre. Já fazia tempo que nada fazia sentido. Acho que passei muitas horas ali, respirando aquela poeira que entrava pela última janela.

Acho que tudo me confundia: as cadeiras jogadas, o conjunto desordenado do jogo da sala de jantar, a luz intermitente, a penumbra cega. Cadê eu no meio daquilo tudo? Eu tateava pelos cantos, até reconhecer que o reencontro é como se revirar por dentro. E encontrar aquilo que você nem sabia estar procurando. Num outro alguém, talvez. Eu tentava expulsar o sol que insistia em entrar pela janela. Não aceitava intrusos, mesmo que fosse eu mesmo. No fundo, foi só falta de pensar um pouco. Olhar um pouco mais pra baixo. Aceitar que o mundo destruiu meu sorriso inocente. Bagunçou meus cabelos debaixo da boina. Mas eu fui assim mesmo.

Quando decidi foi daquele jeito imperceptível, um tanto cruel até. Saí correndo em disparada, escada abaixo. Os degraus passavam como um filme debaixo dos meus pés. Nem contei os andares, não precisava. Desci numa espiral louca, como um fugitivo cansado de tudo. Eu precisava explicar pra alguém, mas ninguém parecia disponível. Não era contradição, nem insegurança. Era só a ausência do medo de tudo.
Quando me dei conta já estava na rua, a névoa embebia meus passos, meus pés chafurdavam nas poças frias. Fui correndo, virando becos, ultrapassando esquinas. Só parei para encostar naquele beco sujo e escuro perto de casa. Fiquei um tempo assim, olhando para cima. Não havia nuvem nenhuma lá no céu enquanto minha mão tateava meus bolsos. Foi aí que percebi o quanto estava encharcado, ao mesmo tempo em que me perguntava o quanto havia de mim em cada uma daquelas pedras imóveis, o que ficara de mim nas cinzas do meu passado.


Ninguém que passasse por ali entenderia ou me veria com aqueles olhos de quem sabe o que está subentendido. Eu era uma farsa gritando por verdades. Mas naquele momento eu era apenas eu tentando acender um cigarro.

Camila Carelli

terça-feira, 26 de julho de 2016

“O mundo que se esvazia em gotas, e depois o peso do mundo colado às minhas costas. Existe muito mais além dos devaneios, e das pausas no texto, e também do que a gente julga o tempo todo. A vida acontece, e hoje eu conheço o martírio dos anos que se passam, que se acabam. Tudo pode ser perfeito, contanto que não seja premeditado. Eu vejo luzes e me pergunto se podem me enxergar aqui? A sombra se aproxima, e os meus olhos são um ponto obscuro.


E tudo ainda depende do que você quer ver...”


Camila Carelli
“O mundo que se esvazia em gotas, e depois o peso do mundo colado às minhas costas. Existe muito mais além dos devaneios, e das pausas no texto, e também do que a gente julga o tempo todo. A vida acontece, e hoje eu conheço o martírio dos anos que se passam, que se acabam. Tudo pode ser perfeito, contanto que não seja premeditado. Eu vejo luzes e me pergunto se podem me enxergar aqui? A sombra se aproxima, e os meus olhos são um ponto obscuro.


E tudo ainda depende do que você quer ver...”


Verônica Ventti

sábado, 9 de abril de 2016


I´m Here Now

Now, I´m here and I can´t explain all the things I can´t understand.  The sky is so blue, the wind is so free, the walls are all opening and the breeze is coming to me.

It might be the best place that i´ve ever found out. But now I realized that I can let it go, I have to run and kick my own limits out. Don´t stop, don´t be afraid. Can you leave me alone only for a moment? I need to think about it.

Yeah! That´s all. In a second you´ve gotta be crazy, you´re doing incredible things. Just believe, live creatively, enjoy every place, every step, every date, ‘cause suddenly it all disappears. So, just go! You can do better than that, I´m right about it.

Camila Carelli

Trecho em inglês da série "A Consciência da Nossa Evolução"