Ondas Douradas
A brisa era morna e meus pés tocavam a areia. No fundo, eu sabia que queria fugir do meu próprio vazio. E ver você ali sendo engolido pelas ondas do mar, e depois emergindo por dentre as ondas douradas era misterioso e confuso ao mesmo tempo. Parada ali, eu duvidava de tudo o que achava que sabia sobre mim. Vivia de fantasias. E isso tudo, só me mostrava o quanto eu estava sozinha. E doía, doía fundo.
Olhei ao redor e vi que o mar brilhava mais do que tudo. Era um brilho que me cegava, quase divino. As cores do arco-íris se deitavam sobre as ondas do mar e a areia da praia e me mostravam que a vida podia ser alegre. Lágrimas de tristeza rolaram pelo meu rosto. Eu não via as montanhas lá atrás, nem os pássaros que voavam soturnos pelo céu. Eles voavam em minha direção, pássaros negros, de asas sedosas e bicavam a barra do meu vestido. Mas eu continuava imóvel, inexpressiva. Mechas do meu cabelo loiro começaram a cair, e eu senti que o meu fim estava próximo.
Nuvens passavam rápidas pelo azul claro do céu acima de mim, enquanto a água gelada do mar envolvia meus tornozelos. E ali eu vi você saindo do mar mais uma vez. O corpo molhado, brilhante, muito vivo, porém distante. Estaria mesmo ali? Parecia um sonho distante, então seus lábios vermelhos sorriram para mim, e me disseram algo. Porém, não escutei nada. Tudo pareceu mudo e silencioso de repente. E muito distante.
Percebi que o mar começou a ficar agitado, ondas altas que se erguiam furiosas. Cavalos passaram correndo por nós. Que momento, o que eu queria, o que eu fazia ali? E então, você me estendeu a mão, me chamando para ir junto, enquanto você adentrava para dentro do mar novamente. Eu relutei, não aceitei. Preferi ficar ali, observando você ir embora, sua fisionomia sumir pouco a pouco, e ser engolida pela água salgada.
Mas o tempo não para, as estações giram, o relógio avança. Como num sonho, os pássaros foram embora, as nuvens se abriram, o mar ficou calmo, e os raios solares iluminaram minha face.
Por um instante, esqueci onde estava. Esqueci da minha solidão, enquanto a brisa do mar me envolvia numa calma e paz aconchegante. Até que uma canção baixa, e algumas notas de piano, que eu não sabia de onde vinham, me embalaram no caminho de volta para casa.
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